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As vantagens da extração e armazenamento do leite materno

O leite materno é o melhor alimento para os bebês e a recomendação é que seja oferecido até os dois anos. No entanto, amamentar não é uma missão fácil – falamos sobre alguns desafios da amamentação aqui. Voltar a trabalhar, por exemplo, pode levar muitas mães ao desmame precoce ou “forçado”. Por isso, decidimos fazer um post completo sobre a extração e armazenamento do leite materno! Assim, você pode continuar oferecendo seu leite mesmo depois que voltar ao trabalho ou durante momentos que não pode oferecer o seio. Convidamos a consultora de amamentação e enfermeira Cintia Freitas para colaborar com essa conversa.

Foto: Sarah Chai no Pexels

Todas as mulheres podem fazer extração?

Sim! A extração pode ser feita por todas, de preferência depois das seis primeiras semanas do bebê – dessa forma, você não hiper estimula os seios e seu corpo tem tempo de aprender as quantidades de produção. Antes disso, o ideal é apenas coletar o leite que vazar, caso você já queira começar a armazenar.

No caso de mulheres com baixa produção ou que voltam a trabalhar muito cedo, é possível criar uma rotina de ordenha antes das seis semanas. No entanto, essa rotina não deve ser intensa e, de preferência, acompanhada por uma consultora de amamentação.

Já nos casos de bebês prematuros, a rotina de extração começa o quanto antes para garantir a produção e, se possível, oferecer ao bebê o leite da própria mãe. Aqui, a rotina de estímulo e ordenha pode ser mais intensa, dependendo da recomendação profissional e necessidade da família.

5 vantagens da ordenha e do armazenamento do leite materno

Ordenhar e armazenar leite materno é uma vantagem:

  1. Na volta ao trabalho: se você possui um estoque e uma rotina de ordenha, pode continuar oferecendo leite materno mesmo depois de voltar ao trabalho;
  2. Para aumentar a produção de leite: a rotina de extração ajuda no aumento da produção de leite;
  3. Para complementar a amamentação: se você possui estoque, pode complementar com seu próprio leite caso exista necessidade;
  4. Para a liberdade da mãe: com estoque, você pode se ausentar sem comprometer a alimentação do seu filho. Isso significa que você pode sair para jantar, viajar e trabalhar sem deixar de produzir e oferecer leite materno;
  5. Em caso de imprevistos: se a mãe adoecer e precisar tomar alguma medicação ou ficar internada, o bebê não fica sem leite materno e a mãe consegue manter a produção com a rotina de ordenha (ainda que o leite extraído nesses dias seja descartado).

É importante dizer que a extração nem sempre será feita para armazenar leite. “Muitas vezes, a ordenha se faz necessária, também, para prevenir mastite e evitar que o bebê machuque a mãe por estar com as mamas muito cheias”, explica Cintia.

Foto: Reprodução Medela

Como deve ser feita a extração?

“A extração está liberada para todas, mas a forma que será realizada é decidida caso a caso”, conta Cintia. Antes de começar uma rotina de ordenha, é avaliado as necessidades e desejos de cada família, assim como quais métodos se encaixam melhor naquela realidade. Mulheres com mamilos machucados, por exemplo, não podem usar as bombas elétricas.

A regra geral na extração é massagear a mama antes da coleta. Depois, cada máquina – manual ou elétrica – tem suas particularidades de encaixe. O tipo de bomba depende das suas necessidades e também do que você se adapta melhor.

Para realizar a ordenha, é preciso ter alguns cuidados:

  • O local deve ser limpo e sem a presença de animais;
  • Você deve lavar as mãos e prender o cabelo antes de começar a ordenha;
  • A bomba deve ser desmontada e totalmente esterilizada antes de cada coleta;
  • Faça uma ordenha manual e despreze as primeiras três gotas antes da extração;
  • Faça pausas a cada 5 minutos para garantir a circulação de sangue na auréola;
  • O leite deve ser armazenado em pote de vidro e tampa de plástico, também esterilizado, e refrigerado corretamente.

A rotina de ordenha deve ser definida junto com sua consultora de amamentação baseado nas suas necessidades e disponibilidade. Extrair leite todos os dias é uma missão cansativa e nem todas as mães se adaptam, então é preciso ter paciência e entender seus limites!

Foto: Nikolai Chernichenko

Como fazer o armazenamento do leite materno?

É preciso ter cautela com o armazenamento do leite. Se bem armazenado, ele pode durar até doze meses! Por isso, fique atenta às regras:

  • Pote de armazenamento

O ideal é que o leite seja armazenado em potes de vidro com tampas de plástico. O leite também pode ser armazenado em sacos específicos para isso – não utilize qualquer saco e fique muito atenta à vedação!

Lembre-se de etiquetar seus potes com a data da coleta para manter o controle do seu estoque.

  • Pode misturar leite de extrações diferentes no mesmo pote?

Sim! Até recentemente, o recomendado era esperar os dois leites chegarem a mesma temperatura na geladeira antes de misturar e congelar. No entanto, a Academia Americana de Pediatria atualizou recentemente suas diretrizes e liberou a mistura do leite fresco com o leite resfriado.

Você pode conferir as diretrizes da AAP neste link.

  • Onde armazenar

O local do seu estoque depende de quanto tempo você pretende manter o seu leite guardado. Se a sua meta é fazer um grande estoque e continuar armazenando ali para garantir o aleitamento por mais tempo, a temperatura do freezer é uma. Se o consumo for feito a curto prazo, a temperatura será outra. Confira quanto tempo o leite se mantém bom para consumo em cada caso, segundo o protocolo americano:

Temperatura ambiente (25 graus): 4 horas

Na geladeira: 4 dias

Congelador interno da geladeira (ou que não cheguem a -18 graus): 15 dias

Freezer ou congelador (-18 graus): 6 meses

Freezer horizontal (-21 graus): 12 meses

Para saber quanto tempo o seu freezer consegue manter o leite, é preciso checar qual a temperatura dele. Essa informação fica disponível nas etiquetas, nos manuais e também é fornecida nos sites dos fabricantes.

Depois de descongelado, o leite não pode ser congelado novamente. Por isso, se seu leite descongelou, você pode armazená-lo por até 24 horas na geladeira para consumo. Se você já aqueceu, ele deve ser consumido em até duas horas.

  • E se eu coletar na rua?

Se você fizer ordenha no trabalho ou na rua (e quiser manter o leite extraído), é preciso tomar alguns cuidados. Se você tem acesso a uma geladeira, é só armazená-lo lá até o transporte – que deve ser feito em bolsa térmica cheia de placas de gelo congeladas. Assim que chegar em casa, coloque junto com seu estoque no freezer.

No caso de você não ter acesso a uma geladeira, é preciso checar quantas horas você consegue manter o leite resfriado na bolsa térmica. Se o leite esquentou ou ficou em temperatura ambiente, não arrisque – é melhor jogar fora.

Como oferecer o leite materno?

Descongele o leite em banho maria com o fogo desligado. É só colocar o pote na água – esse método não funciona com os saquinhos, que devem ser descongelados lentamente na geladeira e depois o leite amornado.

O leite deve ser oferecido em itens sem bico artificial: copo de vidro, copo 360 e colher dosadora são boas opções. Dessa forma, você evita confusão de bico e fluxo (que acontecem com a mamadeira, por exemplo) e pode continuar amamentando no peito também.

É importante preparar a sua rede de apoio para oferecer o leite materno. Explique como descongelar e como oferecer! Se possível, comece a adaptação do bebê com o item escolhido para oferecer leite você mesma alguns dias antes. A maioria dos bebês acaba relutando um pouco até aceitar a nova forma de se alimentar, então esteja preparada para insistir por uns dias até ele aceitar com tranquilidade a nova forma de se alimentar.

Importante: caso o bebê não mame todo leite oferecido, não congele novamente. Esse leite pode ser oferecido novamente nas próximas duas horas e, após esse período, deve ser descartado. Se você perceber que descongelou mais leite do que deveria, divida a quantidade e mantenha uma parte na geladeira – dessa forma, você pode oferecer essa parte nas próximas 24h.

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Leia mais: Meu leite é insuficiente para o meu bebê. O que posso fazer?

Veja também: Meu filho perdeu interesse pelo peito. E agora?

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Cuidados com as mamas na amamentação e gestação

Os cuidados com as mamas na amamentação são essenciais para garantir uma experiência mais leve e saudável para mãe e bebê. Afinal, é o peito da mãe que vai fornecer o leite e ser sugado com frequência – e esse uso constante pode causar feridas e outros problemas que atrapalham a amamentação. Além disso, o cuidado inadequado pode atrapalhar a pega. Ou seja, saber como cuidar das mamas no puerpério é essencial para evitar o desmame precoce!

Aqui no site, você encontra uma categoria completa com textos sobre amamentação. Nesse post, você aprende o que deve fazer e o que evitar desde a gestação até o puerpério. Confira os cuidados ideais com as mamas:

Foto: Cleyder Duque

Cuidados com a mama na gravidez

 Durante a gravidez, o maior cuidado é evitar ouvir palpites errados. Não há nada que você possa fazer durante a gravidez para garantir a produção de leite no pós-parto. Portanto, fuja de remédios milagrosos e receitas caseiras.

Você só vai saber como é sua produção de leite quando começar a amamentar! O tamanho dos seios, formato e o fato de “não vazar leite” antes do parto não significam nada. Mulheres com seios pequenos e sem vazamentos na gestação conseguem amamentar normalmente.

Veja o que evitar durante a gravidez:

  • Não esfregue os mamilos para “calejar” a região! Apenas lave com água, então seque delicadamente com uma toalha;
  • Não tome bebidas que “estimulam o leite”. E se for tomar chás, lembre-se de checar com sua equipe médica se eles são permitidos durante a gestação;
  • Não ordenhe! Não há necessidade e pode atrapalhar seu processo na amamentação. A ordenha pode ser feita após o parto e caso haja necessidade;
  • Não passe sabonetes, cremes e óleos no mamilo. Esses produtos podem fazer mal para a região. Limpe apenas com água;
  • Não use sutiãs apertados.

Foto: Elle Hughes

5 cuidados com a mama na amamentação 

Depois do parto, os cuidados com os seios são ainda mais importantes. Ao contrário do que se imagina, a melhor rotina de cuidados com as mamas no puerpério que você pode ter é a mais simples. Confira:

  • Passar leite no mamilo: use algumas gotas do seu leite antes e depois da mamada. O leite materno tem ação antibacteriana, cicatrizante e hidratante! Assim, além de prevenir ferimentos, ele também os trata de forma natural;
  • Tomar sol: quinze ou trinta minutos de sol por dia na região dos seios é excelente para prevenção e para cicatrização! O ideal é tomar o banho de sol antes das dez da manhã ou depois das quatro da tarde. O protetor solar não pode ser aplicado na aréola e no mamilo. Uma boa dica para quem mora em apartamento é fazer 2 furos estratégicos em camisetas para poder tomar o banho de sol sem chamar a atenção de vizinhos;
  • Trocar o sutiã com frequência: sutiã úmido sufocando o mamilo pode gerar infecções por fungo. O ideal é manter o material sempre seco!
  • Deixar os seios livres: assim como o sol, o ar livre ajuda a saúde dos seios. Separe alguns momentos do dia para ficar sem roupa!
  • Rosquinhas: esse item é um grande aliado dos mamilos, tanto na prevenção quanto após um ferimento. Elas impedem a roupa de pressionar o mamilo sem sufocar a região. Você pode comprar modelos prontos ou fazer suas próprias rosquinhas, usando fraldinha de bebê ou meias.

Constance dá a dica: No ano passado, fiz uma série de entrevistas com a minha consultora de amamentação, Natália Rodrigues, sobre Dicas Gerais; Apojadura e Pega; Livre Demanda x Rotina; Feridas, mastite, candidíase mamária e afins; Alimentação da mãe x cólicas e alergias no bebê (em especial, a APLV). São vídeos que considero bastante esclarecedores, vale a pena assisti-los na gestação para se sentir mais preparada quando a hora chegar. 🙂 

Apesar de muito especial, a amamentação pode apresentar muitos desafios (falei dos meus aqui), que podem levar as mães a desistirem (digo isso, sem julgamento algum!). Os problemas nos seios – feridas, mastite e candidíase mamária – são algumas das causas mais comuns que levam ao desmame precoce.

Aprendi com a minha experiência que os cuidados com os seios na amamentação é um dos caminhos para facilitar esse processo. É importante reforçar que o principal vilão das feridas nos mamilos é a pega errada. Por isso, além de prevenir e tratar os ferimentos, é preciso cuidar da causa – recomendo procurar uma consultora de amamentação! Nesse vídeo do IGTV, conversei com a minha consultora sobre pega. Vale a pena conferir!

O que não fazer com os seios na amamentação

Se a lista de cuidados com as mamas na amamentação é curta e simples, a lista do que não fazer acaba sendo bem maior. Isso porque muitas dessas ações podem levar ao desmame precoce. Então, se é o seu desejo seguir amamentando, preste muita atenção antes de passar qualquer produto – mesmo os naturais e as plantas – nos seios.

Procure o auxílio de uma consultora de amamentação caso esteja tendo problemas com a pega, dores que não passam ou outros. As consultoras são as profissionais mais preparadas para ajudar você a preservar o aleitamento materno.

Confira algumas dicas do que não fazer durante a amamentação:

Passar bucha no mamilo: 

Muitas pessoas acreditam que passar bucha de banho- ou outros itens- nos mamilos ajuda a preparar a pele da região ao “engrossá-la”. Não é verdade! Além de poder lesionar, isso acaba tirando a hidratação natural dos mamilos. 

O que vai preservar seu mamilo é a pega correta e os bons cuidados com a mama, já citamos aqui!

Passar sabonetes, cremes, pomadas e outros produtos no mamilo:

A higiene da região deve ser feita apenas com água, durante o banho! O uso de cremes, sabonetes, óleos e outros produtos pode: 

  • Entupir os dutos, o que atrapalha a amamentação e pode levar a mastite;
  • Deixar cheiro e/ou gosto na pele, o que pode levar o bebê a recusar a mama depois;
  • Deixar a pele da mama escorregadia, o que atrapalha a pega do bebê e gera diversos problemas, entre eles as fissuras no mamilo.

A hidratação deve ser feita apenas com o leite materno. Em caso de fissuras e outros problemas, procure tratamentos alternativos e evite as pomadas. Caso o uso delas seja a única opção que você tem, peça ajuda a sua consultora para aprender a passar a pomada da forma correta. Nunca use pomadas sem recomendação!

Usar conchas de silicone: 

Apesar de ser um item comum em enxovais, as conchas não são recomendadas por nenhuma consultora de amamentação. O motivo é simples: são pratos cheios para a proliferação de fungos que causam doenças, além de piorar quadros de fissura e atrapalharem a pega correta.

Caso você queira um produto para coletar o leite que vaza das mamas durante a mamada, procure coletores ou as conchas modelo ladybug. Importante reforçar que mesmo as conchas ladybug não devem ser usadas o tempo todo, nem por longos períodos de tempo. 

Usar absorventes para seios: 

Assim como as conchas, eles sufocam a região e aumentam a chance de proliferação de fungos. Por isso, o ideal é deixar vazar e trocar de roupa quando isso acontecer.

Os vazamentos tendem a parar depois dos primeiros meses, quando o corpo se adaptar à quantidade de leite que precisa ser produzida e ao horário das mamadas. Vale a pena ter esse trabalho extra com a troca de roupas por esse período de tempo.

Tomar banho quente: 

A água quente dilata os vasos e aumenta a produção de leite, o que pode levar ao empedramento. Algumas alternativas para o banho nos dias frios é ligar o aquecedor no banheiro e tomar banho com água morna. Evite ao máximo água quente diretamente nos seios.

Usar roupas justas e abafadas:

Durante a amamentação, os mamilos têm que respirar. Por isso, roupas justas e abafadas devem ser evitadas ao máximo.

Invista em sutiãs de algodão (e fique sem sutiã sempre que conseguir), roupas leves e mais folgadas. 

Não deixe os seios cheios

Se deu o horário da mamada e você não está com o bebê, você deve ordenhar com máquina ou manualmente, nem que seja apenas para alívio. O peito não é estoque de leite, é fábrica: isso significa que a produção acontece a cada mamada. Não é saudável deixar “acumular” – isso pode levar a um quadro de mastite!

Foto: Janko Ferlic

O que fazer em caso de ferimento nas mamas?

Concha Silverette: 

As conchas de prata da SilveretteFornecedoresSILVERETTE®Enxoval do Bebê Enxoval do BebêSão Paulo, São Paulo (Capital) São Paulo, São Paulo (Capital)Leia mais são as queridinhas de muitas leitoras. Como são feitas de prata pura, têm propriedade ​​antibacterianas, anti-inflamatórias, antifúngicas e cicatrizantes.

Elas devem ser usadas por curtos períodos, higienizadas corretamente com água e sabão e não podem ser colocadas por cima de pomadas ou outros produtos. A recomendação é passar algumas gotas de leite materno no mamilo e na auréola antes de colocar a concha. Podem ser usadas pontualmente para saídas, mesmo sem ferimentos, substituindo as conchas e absorventes.

Pomadas:

Pomadas e qualquer outro produto para ser aplicado no mamilo devem ser prescritos pelo seu médico ou profissional da saúde. Isso porque o produto vai ter contato direto com a boca do bebê, então todo cuidado é necessário.

Além disso, o uso incorreto de pomadas pode atrapalhar a pega. E isso pode gerar mais feridas! Por isso, não passe pomada em excesso ou sem necessidade. 

Laserterapia e tratamentos alternativos

Alguns tratamentos, como a laserterapia, podem ser feitos para ajudar na cicatrização. A acupuntura e a aromaterapia também podem ser usadas. Todos os cuidados com os seios na amamentação devem ser feitos por profissionais com experiência no cuidado com mães. O ideal é sempre consultar seu médico de confiança para escolha dos tratamentos e profissionais mais adequados ao seu caso.

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Leia mais: A amamentação depois do primeiro mês

Veja também: Agosto Dourado: 20 vantagens da amamentação para bebês e mães

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Meu filho perdeu interesse pelo peito. E agora?

Agosto é mês de incentivo à amamentação – conhecido como Agosto Dourado. Esse ano, pensamos em focar nos motivos que levam ao desmame precoce.  E, perguntando às nossas seguidoras no Instagram que amamentaram menos do que gostariam, um dos motivos mais citados do desmame precoce foi “meu bebê perdeu o interesse pelo peito“.

O bebê “negar” ou se afastar do peito durante as mamadas preocupa muitas mães, que ficam com medo de os pequenos ficarem com fome ou de ter que oferecer o leite por outros meios. Se isso estiver acontecendo com você, saiba que existe solução para a “perda de interesse” pelo peito. E essa falta de foco na mamada não quer dizer que o bebê não queira mais o leite materno.

Por isso, é importante entender os motivos que podem levar a esse aparente desinteresse e o que se pode fazer para contornar a situação! Para colaborar com essa conversa, entrevistamos a enfermeira e consultora em amamentação, Marianne Freire.

Meu filho perdeu o interesse pelo peito. E agora?

Foto: Shutterstock

Por que os bebês perdem o interesse pelo peito?

A “perda de interesse” pode ter diversas causas. A principal delas é a confusão de bico/fluxo, causada por bicos de silicone, chupetas, mamadeiras, copos de transição e afins, que pode surgir em qualquer fase. Até bebês já crescidos, que mamavam super bem, podem passar a recusar o peito por conta da confusão de bico/fluxo de uma hora para a outra.

O uso de chupetas, bico de silicone e outros bicos artificiais causa a confusão de bico por conta das sucções diferentes que o bebê tem que fazer em cada bico. Esses estímulos diferentes, principalmente nos primeiros meses de vida do bebê, atrapalham a pega correta nos seios. A dificuldade em sugar o peito leva ao desmame precoce. Esse tipo de confusão pode surgir em qualquer idade, mas se a introdução de bicos artificiais acontecer nas primeiras semanas, as chances da amamentação não se estabelecer são altas. Vale lembrar que chupetas não são recomendadas por outros motivos também, como atrapalhar o bom desenvolvimento das estruturas da boca (o que prejudica o crescimento dos dentes e a fala, por exemplo). Mas, caso a família opte pelo uso da chupeta, a recomendação é que ela, pelo menos, não seja introduzida até que a amamentação esteja bem estabelecida e que, após essa fase, seu uso seja feito de forma pontual.

A confusão de fluxo acontece quando o bebê recebe leite materno/ fórmula/ chá/ suco/ água ou qualquer outro líquido na mamadeira ou copos de transição. O fluxo do líquido na mamadeira é muito maior que o do leite no seio, o que torna a sucção mais “fácil”. Quando essa criança volta a mamar no peito, o esforço para sugar é muito maior e o fluxo menor, o que leva à rejeição ao peito. Mesmo quando a mamadeira é oferecida raras vezes ou uma vez na semana, corre-se o risco de causar confusão de fluxo. Se esse é o caso, é preciso ensinar o pequeno a voltar para o peito com muita paciência. Quando for ofertar o leite ou fórmula, use métodos mais seguros, como a colher dosadora e o copo aberto.

Uma ponto importante no “desinteresse” pelo peito é que, principalmente, a partir dos 3 meses, muitos bebês acabam ficando distraídos nas mamadas. Algumas ações comuns são: afastar o peito, se movimentar muito (e acabar largando o peito), querer levantar/sair sem concluir a mamada. Esse comportamento é esperado a partir dessa idade já que os pequenos estão com melhor visão e coordenação motora. Esse comportamento, entretanto, não significa que eles não queiram mais o peito ou leite materno! “Eles começam a enxergar e entender melhor o ambiente, têm mais força no tronco e no pescoço. É normal que eles se distraiam mais nessa fase”, explica Marianne, “A mãe muito distraída também pode levar o bebê a se distrair ou a tentar chamar sua atenção. Nesses casos, o bebê fica agitado e até morde para se fazer notado”.

Outro momento que leva algumas mães a crerem que houve um “desinteresse” pelo peito é a fase da Introdução Alimentar, quando alguns bebês passam a mamar menos e a produção de leite se regula para atender a demanda. Mesmo mamando com menor frequência do que antes, não quer dizer que o bebê não queira ou não precise mais do leite materno!

O que fazer quando o bebê “perde interesse” pelo peito?

É importante avaliar qual o motivo do desinteresse e qual a frequência. Se em toda mamada o bebê afasta o seio ou não foca, é importante conversar com sua pediatra e sua consultora de amamentação para checar se está tudo fluindo bem. No entanto, se a distração não é a regra, tudo bem! Quando o bebê não mamou bem em uma das mamadas, ele vai “compensar” na próxima. O importante é, no fim do dia, seu filho ter conseguido mamar bem – mesmo que não em todas as mamadas do dia.

Descartada a possibilidade de confusão de bico/fluxo (derivada de chupeta, mamadeira, copo de transição), há algumas técnicas que você pode aplicar para ajudar o bebê a focar no peito! Confira:

  • Ambiente tranquilo

Quando o pequeno estiver agitado, vale a pena procurar um ambiente tranquilo e esperar o bebê se acalmar. Às vezes, só mudar de cômodo é suficiente. Se você estiver fora de casa, pode tentar amamentar no carro, por exemplo. Em casa, desligar a TV e sons altos pode ajudar. Colocar ruído branco colaboram muito para acalmar o bebê e isolar outros sons!

  • Prepare o bebê para a mamada

Para quem faz livre demanda, essa missão pode ser um pouco complicada – mas é possível. Você pode ter um pequeno ritual antes de colocar o pequeno no peito, nem que seja um momento de conversa e olho no olho, um carinho ou algo que acalme e gere conexão entre vocês. Esses rituais antes das atividades comuns do dia a dia ajudam muito o bebê a entender o que vai acontecer em seguida. Com isso, eles tendem a ficar mais calmos e cooperar mais.

  • Gere conexão durante a mamada

O bebê está olhando para a mãe durante todo o tempo, então a conexão é um ponto chave para manter o foco dos pequenos. Como a mamada pode durar muito, é normal que a mãe se distraia ou use esse tempo para alguma outra atividade. O importante é lembrar de olhar nos olhos do seu bebê, conversar com ele e fazer um carinho durante esse tempo, para que ele não se sinta ignorado.

Se o bebê já está distraído, gerar conexão é essencial. Traga a atenção dele para você, conversando, cantando e olhando nos olhos. Pode demorar uns minutinhos, mas costuma funcionar bem!

  • Tenha um objeto para o bebê focar

Um recurso para o bebê ter uma atividade enquanto mama e não se sinta “entediado” é ter um objeto preso na sua roupa ou um colar de brinquedos/de amamentação. É importante que seja algo chamativo e que o bebê possa tocar e puxar. Uma dica é que esse objeto esteja preso na mãe, evitando que ele caia no chão ou saia da linha de visão da criança.

O bebê não focou e “perdeu” a mamada. O que fazer?

Você tentou aplicar as técnicas, mas mesmo assim o bebê não focou e rejeitou o peito – tudo bem! Insistir muito pode deixar o pequeno estressado e levar a um ciclo negativo. Se o bebê não está focando, vale a pena parar e esperar até a próxima mamada. Como já comentamos, ele provavelmente vai “compensar” mamando mais depois.

Um ponto de atenção é não deixar o peito cheio. Se o bebê não mamou e você está com os seios cheios, vale a pena fazer a ordenha – manual ou com bomba. Pular mamadas pode afetar a produção de leite, principalmente para mães que não fazem livre demanda. Então, fique atenta!

O importante é saber que nem sempre seu bebê vai colaborar. Assim como nós, adultos, nem sempre estamos dispostos a comer ou a colaborar. Com fome, ele não fica – quando sentir a necessidade, vai pedir!

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Leia mais: Meu leite é insuficiente para o meu bebê. O que posso fazer?

Veja também: A amamentação depois do primeiro mês

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Dores fortes no mamilo: conheça o Fenômeno de Raynaud

Durante o Agosto Dourado, mês de incentivo à amamentação, a coluna Gestar traz temas importantes para auxiliar as mães nesse processo! Hoje, vamos falar sobre o Fenômeno de Raynaud de mamilos, motivo de muita dor e desgaste para algumas lactantes. Muitas mães nos contaram para a gente nos Stories que essa foi a causa do desmame precoce. Por isso, pedi ao ginecologista e obstetra Dr Jorge Farah Neto (CRM 126.525) nos explicar tudo o que precisamos saber sobre o assunto:

Método contraceptivo

O que é Fenômeno de Raynaud de mamilos?

No geral, o Fenômeno de Raynaud é um problema que acontece em mãos, pés e orelhas, mas existe também o Fenômeno de Raynaud mamilar, que atinge 20% das mulheres em idade fértil.. É um quadro onde a mãe apresenta fortes dores no mamilo, sensibilidade extrema e, por vezes, mudanças de cor nessa região.

O que acontece é um problema na circulação do sangue na região, geralmente desencadeado pelo frio e/ou estresse vascular. A dor causada pela má circulação do sangue pode surgir durante a mamada e também se estender por mais tempo, mesmo após a sucção. O fenômeno pode aparecer em qualquer fase da amamentação.

Quais são as causas para o Fenômeno de Raynaud de mamilos?

Esse fenômeno pode ser primário ou secundário. Se for primário, não tem relações com outras doenças e é mais fácil de tratar. A causa pode ser o aumento do nível do hormônio estrogênio no corpo, somado ao estresse e ao frio.

Já o Fenômeno de Raynaud secundário tem relação com outras doenças e seu tratamento pode ser mais complexo. As causas mais comuns aqui são as doenças autoimunes, reumatológicas, endócrinas, vasculares e neurológicas.

A sucção não causa Fenômeno de Raynaud mamilar. Mas a dor decorrente do fenômeno leva muitas mães a desistirem da amamentação – por isso, é essencial um diagnóstico precoce e tratamento eficaz. O tratamento pode ser feito sem que haja o desmame.

Fenômeno de Raynaud mamilar

Como identificar esse quadro?

Não existe um exame específico para detectar o Fenômeno de Raynaud de mamilos. Por isso, o médico faz uma avaliação de sintomas e de respostas a tratamentos. O sintoma mais comum é a dor mamilar (moderada a intensa) com duração igual ou superior a quatro semanas.

Depois desse sintoma, serão avaliados outros quatro pontos:

  • Modificação da coloração do mamilo, principalmente por exposição ao frio;
  • Sensibilidade ou modificação de cor das mãos e/ou pés por exposição ao frio;
  • Resposta negativa ao tratamento com medicamentos antifúngicos por via oral;
  • Resposta positiva ao tratamento específico para o Fenômeno de Raynaud.

Importante lembrar que outros problemas também causam dores mamilares, como as fissuras, candidíase e mastite. O Fenômeno de Raynaud não causa feridas.

Quando o diagnóstico de Fenômeno de Raynaud mamilar é feito precocemente, evitamos o tratamento equivocado de mastite, por exemplo, o que permite o sucesso do aleitamento materno, sem dor. Dessa forma, tanto a mãe quanto o bebê podem usufruir dos benefícios imunológicos, psicológicos, nutricionais e sociais da amamentação.

Qual o tratamento quando confirmado o problema?

A recomendação principal é que as mulheres mantenham as mamas e mamilos aquecidos, evitem temperaturas frias e substâncias vasoconstritoras, como nicotina e cafeína. O uso de bombas mamárias também pode ser recomendado. Há um medicamento autorizado para uso, com ação vasodilatadora, mas que apresenta alguns efeitos colaterais, como náusea e taquicardia. O melhor tratamento deve ser acordado entre a lactante e seu médico.

A pega correta, claro, é sempre o ideal, para que o bebê não comprima a ponta do bico do peito. No entanto, ajeitar a pega não é um tratamento para o fenômeno, apenas uma forma de evitar problemas na mama.

Tenho Fenômeno de Raynaud. Devo interromper a amamentação?

Não é necessário interromper a amamentação. A sucção não causa nem piora o Fenômeno de Raynaud. No entanto, algumas pacientes têm dores muito fortes, que tornam a amamentação inviável até o fim do tratamento.

Caso exista vontade de continuar com aleitamento materno, é possível tentar a coleta do leite por bombas. É uma forma de manter a produção ativa e o bebê consumindo leite materno. Se for oferecido em métodos seguros, as chances são altas de o bebê voltar a mamar no peito após o fim do tratamento. Tudo depende do nível de dor da mãe e quão sensível estão os mamilos para essa extração.

Por fim, é essencial que as pacientes sejam informadas de que o Fenômeno de Raynaud mamilar pode ocorrer novamente em outras gestações. Dessa forma, ela manterá os cuidados e um diagnóstico futuro pode ser mais rápido.

Até a próxima coluna,

Dr. Jorge Farah Neto

Ginecologista e obstetra, o Dr. Jorge Elias Farah (CRM 126.525 | RQE 59579 | TEGO 184/2011), da Clínica Ginevra, aborda na coluna GESTAR os mitos e verdades da gestação e do parto, e responde as principais dúvidas das mães.
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Agosto Dourado: 20 vantagens da amamentação para bebês e mães

Após sancionada a lei pela Presidência da República, no dia 12 de abril de 2017, Agosto passou a ser o mês do aleitamento materno, um mês inteirinho pró – amamentação. Uma das intenções do projeto “Agosto Dourado” é intensificar ações de conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno. “Hoje, as famílias estão muito mais conscientes dos benefícios e das vantagens da amamentação, se comparado com as gerações passadas. O leite materno é muito superior a qualquer outro leite ou fórmula artificial e é o alimento mais perfeito e completo da natureza”, explica médica pediatra dra. Gabriela Ochoa, que reuniu para nós as vantagens da amamentação para o bebê e para a mãe.

Mas antes das dicas, vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) preconizam o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos ou mais.

agosto dourado

Vantagens da amamentação para o bebê:

  1. Fortalecimento do sistema imunológico (a mãe passa anticorpos através do leite, fortalecendo o sistema imune do bebê)
  2. Proteção contra diversas infecções, como as respiratórias, otite (ouvido), intestinais, dentre outras
  3. Proteção contra anemia (graças a presença e boa absorção do ferro)
  4. Diminuição do risco de desnutrição
  5. Reduz do risco de contaminação
  6. Diminuição do risco de alergias (alergias alimentares, dentre elas a alergia à proteína do leite de vaca)
  7. Proteção contra diarreia
  8. Fortalecimento dos músculos da face e boca, evitando problemas na fala e dentição
  9. Contribuição para o desenvolvimento da criança (cognitivo e psicomotor)
  10. Prevenção de doenças crônicas no futuro, como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, asma, dermatite atópica, doença celíaca

Vantagens da amamentação para a mãe:

  1. Favorece a perda de peso, voltando mais rapidamente ao peso normal
  2. Diminui o risco de câncer de ovário, endométrio e mama
  3. Previne contra a osteoporose na pós-menopausa
  4. Intensifica relação afetiva mãe-filho
  5. Aumento da autoestima
  6. Diminui incidência de depressão pós-parto
  7. É pratico, rápido, está sempre pronto, na temperatura ideal, não precisa ser coado ou fervido
  8. É econômico. Evita gastos com outros tipos de leite e mamadeiras
  9. Reduz gastos com medicamentos
  10. Reduz as internações, já que diminui incidência de doenças na infância e na vida adulta

(Foto: Reprodução)

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