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Ovo: de vilão a super-herói

Ao escrever esse artigo, lembrei-me da minha infância, na qual o ovo quente estava presente todos os dias no meu café da manhã. Como num passe de mágica e para a minha tristeza, de um dia para o outro, minha iguaria matutina sumiu da minha alimentação. Da sua também? Excluído da dieta e tido como vilão nas últimas décadas, o ovo não apenas foi finalmente absolvido, como hoje é tido como um super alimento.

 A má fama do nosso super herói parecia ter um bom motivo. Afinal, a gema de ovo era encarada como uma “bomba de colesterol” e, dessa forma, era capaz de elevar os níveis de colesterol sanguíneo humano. Mas, graças a novos estudos científicos realizados nos últimos anos, esse mal entendido foi esclarecido.

A absolvição aconteceu quando cientistas descobriram na gema do ovo uma substância chamada lecitina (um fosfolipídeo). Trata-se de um emulsificante natural de gordura, que interfere na absorção do colesterol e impede a captação do mesmo pelo intestino. É como se ovo, sabendo ser rico em colesterol, proporcionasse um antídoto natural para que não houvesse um aumento em seus níveis.

Famoso por ser uma excelente fonte proteíca, o ovo ainda é rico em vitamina B12, selênio, colina, vitamina D e antioxidantes.

Outro ponto positivo é que a proteína contida na clara do ovo oferece mais ajuda no aumento da massa muscular do que as proteínas contidas em outros alimentos, devido às altas concentrações de um aminoácido chamado leucina. Além disso, constatou-se também que a proteína do ovo é capaz de manter a saciedade por um longo período de tempo. Ou seja: a fome só aparece muito tempo depois de tê-lo comido, fazendo dele um grande aliado das dietas de emagrecimento.

Pelo que acabamos de ler, percebemos que motivos não faltam para adotarmos o ovo em nossas alimentação e na dos nossos filhos. Mas a dúvida que paira no ar é a de quantas unidades de ovos podemos ingerir. De acordo com uma pesquisa realizada na Escola de Saúde Pública de Harvard, o consumo de até 7 ovos por semana altera muito pouco as taxas de colesterol. Mas, por motivo de prevenção, recomendo para adultos o consumo moderado de até 3 ovos na semana em substituição a outras proteínas (como carne bovina, frango, peixe, leite e derivados). Para crianças acima de 2 anos o ideal que o ovo esteja presente na alimentação duas vezes na semana.

Vale a pena ressaltar que existe um esquema alimentar para a introdução do ovo – e principalmente da clara – na alimentação dos pequenos. A clara do ovo é rica em albumina e, em raríssimos casos, pode causar alergia em crianças. Esse tipo de problema é minimizado em crianças que receberam vacinas preservadas em albumina. Quando o assunto é a introdução da clara do ovo a regra é simples: assim como a introdução da gema deve ser feita em pequenas quantidades no oitavo mês, a clara também deve ser oferecida aos poucos a partir do décimo segundo mês.

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Heloísa Tavares é nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em pediatria clínica pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, graduada em pedagogia na Faculdade de Educação da USP e atua há mais de 10 anos em consultório junto à Clínica Len de Pediatria.

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