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Cama compartilhada

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Se pra gente que é filho é uma delícia tirar um cochilo na cama dos pais, imagine qual a sensação para eles de nos terem por perto. É tão gostosa, que muitas mamães e papais adotam a prática da cama compartilhada – tradicionais em alguns países europeus –  não só durante o dia, mas à noite também. Porém, tal decisão gera muita polêmica no mundo todo, uma vez que até as sociedades médica e psicológica ficam divididas quando o assunto são os benefícios e danos que ela pode causar aos filhos e aos próprios pais.

A discussão começa já na Organização Mundial da Saúde, que recomenda, no máximo, que os bebês de até seis meses durmam em berços e carrinhos ao lado da cama dos país, mas nunca com eles. Porém, engana-se quem pensa que a orientação é focada apenas no futuro psicológico dos filhos. “Para um bebê recém-nascido, o grande problema da cama compartilhada é o risco de sufocamento, de hiper aquecimento, de inalar excesso de gás carbônico emitido pela respiração dos pais e de esmagamento, contou em entrevista ao blog, a psicóloga e psicoterapeuta especialista em sono do bebê Renata Soifer Kraiser.

Quem defende, diz o que? 

Um dos mais famosos defensores da cama compartilhada no mundo é o pediatra espanhol Carlos Gonzáles, autor do livre Besáme Mucho. Segundo ele, dormir com os pais só é um risco nos primeiros três meses, e que os argumentos de quem é contra não fazem sentido. “Alguns dizem que ‘nós temos de ensinar as crianças a dormirem como se deve’. Acontece que a forma normal para os humanos dormirem é acompanhada. Se tivéssemos de ensinar alguma coisa, seria dormir assim”, contou ele em entrevista ao canal Mulher do Portal UOL.

A psicóloga Bianca Balassiano, é uma das profissionais brasileiras que não é contra a prática. Estar próximo do bebê facilita o contato pele a pele e a promoção do vínculo mãe e bebê. Além disso, compartilhar a cama com o casal pode fazer com que o pai participe fazendo um revezamento que garanta um maior repouso para o casal.”

Quem critica, critica por quê?

É na falta da mãe que o bebê se reconhece como indivíduo único. Se a mãe mantém a simbiose permanente, a criança não consegue construir sua identidade de forma saudável, o que pode ser muito complicado. Conforme ela cresce, mantê-la na cama compartilhada priva o casal de seus momentos de intimidade, não apenas sexual, mas de conversas particulares, troca de ideias e aproximação, que deixam de ocorrer neste momento porque os filhos estão no meio. Perceba que há uma inversão de valores. A criança tem o poder de privar os pais de seus momentos de intimidade, ditando ela quando isso é permitido e não o contrário, afirma Renata Kraiser.

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Os pais que adotaram a prática dizem…

Para a atriz e radialista Natália Nobeschi, 28 anos, podem falar o que for, ela não acredita que a escolha que fez há seis anos, quando se separou do pai de Laura no primeiro ano de vida da pequena, trouxe ou trará algum dano. Laura não chupava chupeta e acordava muito durante a noite para ficar no peito, fazendo ele de chupeta. Para que eu pudesse dormir tranquila, comecei a colocá-la comigo durante a noite para ver se esse hábito parava. As noites passaram a ser maravilhosas, Laura não ficava mais a noite inteira “mamando” e eu conseguia dormir”, contou Natália, que acredita que se houver algum sofrimento lá na frente, será apenas dela. “Acredito que eu vá sentir mais falta dela na minha cama, como já acontece quando ela está no pai, do que ela quando tiver sua própria cama e quiser dormir todas as noites lá.”

A publicitária Marina Sathler também adotou a técnica desde o nascimento de Laura, hoje com três anos. Porém, fez questão de manter o quarto da filha completo, com cama – o que não é comum. “Pensamos que dormir sozinho e a noite toda é um processo que faz parte do amadurecimento e do crescimento da criança. Não vemos a cama compartilhada em si como um fator determinante para seu amadurecimento, mas para sua segurança sim. Uma vez que ela se sinta segura e acolhida em sua casa, seja na própria cama ou na nossa, este sentimento vai suportar seu amadurecimento e crescimento em todas as esferas.”

… e os que preferem não adotar, ponderam: 

Lucianna de Lorenzo, mãe da Maria, de um ano e oito meses, acredita que a prática não seja a mais adequada quando se pensa na independência natural e irremediável do ser humano na vida adulta. A separação faz parte da vida e é saudável, da mesma forma que ela começa a ir pra escola, visitar os amigos sozinhos…”, opina ela, que ainda ressalta a questão do silêncio para o sono do bebê.Quanto mais silêncio e calma tiver o ambiente de sono, melhor o descanso tão importante para o bebê crescer e se desenvolver de forma saudável.

A arquiteta Daniela Frugiuele, mãe do Rafael, 1 ano e oito meses, também não se sente confortável com a prática, e compartilha de Lucianna no entendimento da necessidade de um espaço só seu para os filhos. “Imagino que deva ser uma delicia dormir junto com o filho uma vez ou outra, mas pelo que vejo no Rafa, os bebês e crianças se acostumam muito rápido a tudo. Para que uma coisa vire rotina aqui em casa, basta eu fazer 3 ou 4 dias seguidos, que logo ele entende. Agora, se preciso mudar alguma coisa, demoro meses para tirar o hábito. Por isso, sempre tentei me policiar ao máximo para não fazer coisas que ele iria gostar e depois seria muito difícil de tirar dele.”

Leia também: 10 truques para criar a rotina de sono do bebê

Relação marido e mulher, como fica?

Outro ponto importante na discussão são as mudanças na vida do casal, enquanto marido e mulher. Marina Sathler acredita que a transformação da relação não é culpa de ter ou não um bebê na sua cama, mas sim da nova situação da família. O casamento existe na nossa vida em todos lugares e situações, não é só no quarto! A relação com o marido não muda em nada. A presença do bebê na nossa cama não afeta nosso relacionamento, pois acredito que toda a dinâmica do casal muda a partir do momento que o filho existe e a partir daí nossa postura como casal e nossas prioridades já são diferentes”, diz ela, que ainda vê um lado bom em tudo isso.É super saudável cultivarmos nossa intimidade buscando alternativas pra sair da mesmice. Aproveitamos pra explorar situações e lugares diferentes.

Tal posicionamento da mãe tem o apoio da Bianca Balassiano. “É um erro creditar toda a culpa é da presença do bebê: na maioria das vezes ainda que o bebê não estivesse ali o casal estaria cansado ou mobilizado em torno de outras questões, pois é natural nesta fase do pós parto imediato que a libido fique menos acentuada. Acredito que quando os dois estiverem a fim, serão capazes de encontrar outros espaços da casa para namorar, e a reprovação do pediatra do hospital São Camilo de São Paulo Hamilton Robledo. Em crianças maiores, esta prática pode torná-las dependentes e inseguras, pois não desenvolve a individualidade e nem a segurança nelas mesmas e ainda prejudica a intimidade do casal. O espaço na cama fica muito restrito e o pai acaba saindo. Um filho vem para aumentar o vínculo afetivo familiar e não o contrário.

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Orientações para praticar a cama compartilhada (por Bianca Balassiano)

– Certifique-se de que a cama é grande e firme (não use colchão d´água ou sofá) o bastante para acolher bebê, mamãe e papai.
– A ordem deve ser: bebê, mamãe e papai. O bebê deve dormir ao lado da mãe e nunca entre os pais.
– Tome precauções para que o bebê não caia da cama. No entanto, evite usar travesseiros fofos e almofadas, pois há risco de sufocamento.
– Não durma com roupas que tenham cordões e retire qualquer acessório.
– Se o cabelo dos pais for comprido, prenda-o.
– Jamais compartilhe a cama com seu bebê sob a influência de drogas, álcool, cigarro ou remédios controlados que alterem sua percepção.

(Fotos: reprodução)

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