Agrotóxicos, cuidado com eles

12 de março de 2012

Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) com o objetivo de estruturar um serviço para avaliar a qualidade dos alimentos e implementar ações para o controle de resíduos de agrotóxicos. Desde então, anualmente a Anvisa libera a lista dos alimentos que mais apresentam resíduos de agrotóxicos e os classifica da seguinte maneira:

• Agrotóxicos não autorizados (NA) para as culturas monitoradas;

• Agrotóxicos autorizados para determinada cultura;

• Resíduo encontrado acima do limite máximo permitido (LMR);

Segundo a lista divulgada em dezembro pela Anvisa (disponível na íntegra aqui), 92% das amostras de pimentão foram consideradas insatisfatórias com relação à quantidade (limite máximo permitido) e ao tipo de agrotóxico utilizado (não autorizado para a cultura).

Mas por que tanto alarde em relação a agrotóxicos? Por que a recomendação cada vez mais recorrente em se consumir preferencialmente alimentos orgânicos?

Inúmeras são as evidências dos malefícios dos agrotóxicos como abortamento, distúrbios cognitivos, de comportamento, morte, manifestações de neoplasias, tumores, distúrbios endócrinos. E muitas vezes os médicos não associam essas evidências com a exposição aos agrotóxicos, não registram isso, não informam e os sistemas de informação não incentivam e não capacitam os profissionais. Então, há todo um sistema de ocultamento de risco.

A preocupação maior, principalmente por parte dos endocrinologistas, é com relação aos efeitos nos fetos e nas crianças. Vários estudos estão evidenciando efeitos dos pesticidas na embriogênese.

Em 2010, um artigo publicado na revista Pediatrics sobre a relação de pesticidas e distúrbios de comportamento descobriu uma ligação entre a exposição a pesticidas e a presença de sintomas de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. O estudo foi realizado com 1139 crianças, de acordo com uma amostra da população geral dos EUA, e mediu os níveis de pesticidas em sua urina. Os autores concluíram que a exposição a pesticidas organofosforados, em níveis comumente encontrados em crianças nos EUA, pode contribuir para o diagnóstico de TDAH.

Em uma pesquisa publicada na Revista Pediatría em 2010, um órgão oficial da sociedade Paraguaia de Pediatria evidenciou que crianças são suceptíveis a alterações celulares em decorrência da exposição a agrotóxicos. Participaram do estudo 48 crianças potencialmente expostas a agrotóxicos e 46 não expostas. Obtiveram-se amostras da mucosa bucal para determinar o dano no material genético, através da frequência de micronúcleos. Encontrou-se, no grupo potencialmente exposto a agrotóxicos, uma média maior de micronúcleos e de células binucleadas, bem como uma maior frequência de fragmentação nuclear (cariorréxis) e picnose, que são processos típicos de células necróticas.

Bem, as cinco maiores produtoras de agrotóxicos têm fábricas no Brasil e querendo ou não, nosso país ainda é um país agrário, a bancada ruralista tem um poder sobre as massas, dando a entender que sem “defensivos” agrícolas, o brasileiro comerá mal, ou seja, a produção será insuficiente. Paradoxalmente, o consumo de agrotóxicos aumenta, o Brasil produz cada vez mais alimentos “poluídos” e o brasileiro está mais carente de nutrientes. Como explicar?

Mamães, vale a pena investir nos orgânicos e na alimentação de seus filhos. Quanto antes diminuir a exposição a esses tóxicos, melhor.

Até a próxima!

Drª Karina Al Assal é nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em nutrição clínica pelo Hospital Sírio Libanês, especialista em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Paschoal, mestranda em nutrição e cirurgia metabólica do aparelho digestivo pela Faculdade de Medicina de São Paulo e graduanda em fitoterapia funcional.
* Envie dúvidas e sugestões para a coluna pelo email karina@karinaalassal.com.br .

Diminua as toxinas!

31 de janeiro de 2012

Diminua já o contato com toxinas ambientais no seu dia-a-dia. Já conversamos aqui sobre embalagens plásticas e seus prejuízos à saúde, portanto, evite o uso de embalagens de plástico na cozinha quando possível, pois estas exigem muita energia para a sua produção. Há risco de migração de substâncias tóxicas para os alimentos, acredite! Prefira as embalagens de vidro, pois, além de serem mais ecológicas, diminuem o contato do organismo com as toxinas ambientais.

Substitua os recipientes de plástico por aqueles de aço inoxidável, para que você possa reutilizar várias vezes. Ao invés de usar recipientes de plástico para aquecimento de alimentos ou mesmo para armazenar alimentos quentes, use versões de cerâmica ou de vidro. Interessante também substituir embalagens plásticas para pães por embalagens de papel marrom, feitas especialmente para reduzir o uso do plástico na cozinha.

Além da seleção de alimentos saudáveis, é muito importante a forma de preparo dos alimentos, portanto, a escolha da panela pode fazer a diferença na sua alimentação e na do seu pequeno. A panela de ferro fundido é uma aliada da saúde. Em vez de utilizar panelas de teflon ou potes plásticos revestidos, invista em um conjunto de aço inoxidável ou panelas de ferro fundido. As panelas de ferro fundido são conhecidas por sua durabilidade e aquecimento. Ao contrário dos metais que podem descamar, a panela de ferro é considerada um aditivo para os alimentos e não é prejudicial.

Em contrapartida, as panelas de alumínio podem ser uma ameaça à sua saúde: o aço inoxidável ou as panelas de cerâmica são mais duradouras, além de ser uma alternativa saudável. Alimentos ácidos, como o tomate, podem absorver o alumínio da panela, especialmente se a panela estiver muito desgastada. Além disso, a produção de aço inoxidável e da panela de cerâmica são menos agressivas para o meio ambiente.

Até a próxima!

Drª Karina Al Assal é nutricionista graduada pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em nutrição clínica pelo Hospital Sírio Libanês, especialista em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Paschoal, mestranda em nutrição e cirurgia metabólica do aparelho digestivo pela Faculdade de Medicina de São Paulo e graduanda em fitoterapia funcional.
* Envie dúvidas e sugestões para a coluna pelo email karina@karinaalassal.com.br .

Babá or not Babá?

17 de janeiro de 2012

Hello, mummies!

Quando cheguei ao Brasil, há uns sete anos, meu lado revolucionário francês (temos isso no sangue, é mais forte que a gente!) não se conformou com algumas coisas. Entre uma delas, a babá. Retificação: a babá, vestida de branco que sempre acompanha toda a família, seja no shopping, no cinema, no restaurante etc. Culturalmente falando, foi uma tapa na cara. Primeiro porque, por ser às vezes um pouco intransigente e brava, eu vi nisso uma volta (será que saiu?) ao colonialismo. Segundo, não entendia como pais não podiam não sair sozinhos com os filhos nos fins de semana.

Depois de alguns anos de prática no país, entendo melhor, mesmo se não me conformei.

Na verdade, é como tudo na vida, depende do ângulo de vista. Deixem-me explicar um pouco como funciona na França para vocês entenderem melhor meu ponto.

Lá, a babá é uma exceção. A ideia é sempre conseguir uma vaga na creche, o que vale ouro (em Paris pelo menos), porque tem quota. E, quem tem menos dinheiro tem preferência. Na verdade, assim que você engravida, já tem que procurar a creche mais perto da sua casa e entrar com a papelada para garantir um espaço para sua cria. Se você tem sorte, beleza.

As menos sortudas precisam de um plano b: a “babá compartilhada”. A ideia é dividir mesmo os serviços de uma babá com outra família que tem um bebê mais ou menos da mesma idade. Geralmente, alternando um dia na casa de um, o dia seguinte na casa do outro. Hoje, todos meus amigos entraram com esse esquema e me falam o quanto é legal e, que também, o custo fica mais em conta. Eu estou louca para achar alguém que faça isso aqui! Não somente pelo preço, mas também com a ideia de não deixar meu filho na mão de uma pessoa só.

Quem ganha suuuuuuuuuper bem, contrata uma babá (bem caro por sinal na Europa).

Agora que tenho um filho eu vejo as grandes virtudes das babás no Brasil, porém ainda não contratei nenhuma. O pequeno vai para escola o dia todo, o pai leva, a mãe busca, e é só rezar muito para ele não pegar conjuntivite ou outra doencinha que vai afastá-lo do berçário. Senão, neste caso quem fica é a mamãe. E a mamãe tem que trabalhar. Eu tenho certeza de que isso acontece com muitas de vocês. Como vocês fazem para gerenciar? Eu não gosto da ideia de deixar o bebê com uma pessoa que provavelmente vai deixá-lo na frente da TV ou vai dar besteira para comer ou, pior, bater nele. Eu sou e sempre serei a favor do berçário que acho melhor até para socializar, para estimular, para se divertir. Porém, chegou a hora que não vou poder mais voltar para casa cada vez que o pequeno está doente a não ser se eu parar de trabalhar (o que, cá entre nós, é impossível para minha saúde mental e para as finanças da família).

Como vocês resolveram organizar a vida de vocês entre trabalho e filho? Vocês preferem berçário ou babá? Vocês tem outra alternativa?

Proo é mãe de primeira viagem, francesa, ariana e não tão cabeçuda quanto o marido fala. Ama o blog da Constance, o Brasil e queria compartilhar com as colegas de fraldas: dicas, “bons plans”, diálogos, endereços (muitos em Paris e alguns aqui!).

fim

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